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O Oboé, o Nascimento de Uma Paixão

publicado em domingo, 17 de novembro de 2013
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Como Nasceu uma Grande Paixão

O homem nasce com algumas habilidades naturais, o instinto da vida vem desde o berço e durante a infância algumas outras habilidades começam a aflorar e desenvolver novas.

No início da juventude aparecem as paixões, algumas vem outras vão, mas muitas delas ficam e viram amor sem limites.

O oboé é um instrumento que tem a característica de virar paixão eterna, amor incondicional.

Quando criança, a audição de determinadas peças instrumentais, desenvolve-se o gosto por este ou aquele instrumento, da mesma forma alguns passam a inaugurar a lista dos não apreciados.

Na minha juventude, quando tive o primeiro contato com o instrumento chamado OBOÉ, foi paixão à primeira vista, ou melhor à primeira audição. Era uma música gravada pela orquestra de Paul Mauriat, de composição própria do arranjador que chamava Desert de Neige, traduzido para o português, Deserto de Neve, começava com piano, de repente entra o oboé fazendo o solo da melodia da música, depois uma soprano canta a melodia, sem mencionar palavras, apenas a vogal a, realmente uma música muito linda(ver vídeo anexo).

Depois ouvi uma composição atribuída a Michael Haydn (1737-1806),  com oboé e órgão de tubo, e como ponto central, um solo de corne inglês, porém se não conhecia o oboé, quanto menos um corne inglês.
A tradução no LP era literal, ou seja o oboísta tocava, oboé e trompa inglesa, e agora como era essa trompa inglesa? a trompa normal cujo nome em inglês é French Horn, traduzido literalmente seria trompa francesa. Na minha total falta de experiência, achava que a parte grave da composição era tocada no grave do oboé.

Que som maravilhoso, que toca o coração e a alma. De onde vem este som ?

Por que é chamado de OBOÉ ?

Depois do primeiro contato, das primeiras audições e reconhecimento do som, algumas músicas que continham solo de oboé já figuravam a lista das prediletas, vem aquela pergunta.

Como consigo um instrumento deste para começar a estudar ?

Depois que se tem contato com o instrumento, é que se começa a constatação que de bonito o oboé só tem o som.

Mas justamente o fato de ser um instrumento de difícil aprendizado é que o torna apaixonante.
Se o desafio não fosse tão grande, seria apenas um instrumento comum, conhecido de todos e que todos tocariam. 

É um instrumento de difícil aprendizado, para se ter um bom instrumento, deve-se ter um bom dinheiro, pois os melhores oboés são dispendiosos.

Como o ser humano é movido a desafios, fiz do oboé meu maior estímulo.

Devido as dificuldades de início de se conseguir um bom instrumento, passei a estudar com o instrumento que eu tinha, porém eu achava que jamais tocaria oboé, pois com  aquele instrumento realmente era muito difícil.

Apesar de todas as dificuldades, a paixão foi ficando cada vez maior. O interesse pela música barroca veio como complemento.

O primeiro instrumento a gente não esquece, como diria o poeta sobre o primeiro amor.

Na verdade meu primeiro instrumento realmente foi inesquecível. Sem qualquer experiência ou apoio de um profissional que conhecesse e com autoridade para dar uma assessoria, comprei o primeiro que apareceu, sem saber se era um instrumento apropriado para iniciantes. Existiam algumas pessoas que conheciam de música e que de boa vontade deram algum apoio, porém assim como eu, nada conheciam sobre oboé. Por isso perdeu-se muito tempo achando que o instrumento não era adequado (se bem que mais tarde constatou-se isso mesmo).

Naquela ingenuidade e total falta de experiência, perguntava-se, por que este oboé não tem som de oboé?

Sem ter técnica, sem instrumento e palheta adequados, que som conseguiríamos com aquele instrumento ? nem oboé nem clarinete.

Houve até alguém sugerindo que era um oboé d’ amore, tal era a falta de conhecimento das pessoas.

Era um instrumento antigo e de um sistema antigo, sem recursos e ainda sem um professor para auxiliar.

O pioneirismo cobrou seu preço quando consegui alguém que conhecia um pouco sobre a arte. Com aquele instrumento não tinha nenhuma condição de progredir na música, em outras palavras, era uma peça de museu.

Quando voltei à minha consciência e vi o prejuízo que havia acumulado, fiquei triste e já com vontade de desistir de algo que nem havia começado.

Comprar um instrumento novo, mesmo que fosse de estudante, na ocasião, era impeditivo. Além do preço ser oneroso, não sabia sequer que modelo ou marca comprar.

Havia uma ilusão que bons fabricantes de clarinete ou saxofone fossem bons fabricantes de oboés. Porém o tempo mostrou exatamente o contrário. Bons fabricantes de oboés, geralmente só fabricam oboés que são verdadeiras obras de arte.

Nessa mesma época, meu irmão apareceu com um livreto que ganhou de  colega seu que havia visitado uma feira de instrumentos musicais na Alemanha, creio eu que teria sido a famosa feira de Frankfurt.

Neste livreto havia vários nomes e endereços de fabricantes de instrumentos separados por categoria. Fui logo aos expositores de oboé e comecei a mandar cartas para os fabricantes solicitando catálogo e lista de preços. Mas como importar ? As dificuldades eram grandes, não só financeiras mas também de leis vigentes.

Nesse meio de tempo, consegui comprar um instrumento um pouco mais moderno, porém tinha um sério problema, faltavam as chaves esquerdas do grave. Mais um problema a enfrentar, quem consertaria aquele instrumento e fabricaria as chaves faltantes ?

Mais uma batalha começou até encontrar em São Paulo-SP, um luthier de clarinetes que se dispôs a ressuscitar aquele oboé.

Após recebê-lo, aquele foi meu companheiro de batalha por três anos até conseguir finalmente o meu primeiro oboé profissional.  

No final de 1987, através de um oboísta que havia chegado recentemente à Orquestra Sinfônica do Paraná OSINPA, consegui o endereço do Mr Schuman, oboísta americano que vinha todos os anos ao Brasil no Festival de Campos do Jordão e eventualmente para alguns concertos e master-class, ele trazia alguns oboés novos e usados para vender no Brasil, pois sabia a dificuldade que os músicos brasileiros tinham de importar bons instrumentos.

Com muita dificuldade, juntei os dólares suficientes para conseguir um oboé profissional usado com
Mr Schuman. 

Em fins de junho de 1988, fui a São Paulo buscar meu tão sonhado oboé profissional. Voltei no mesmo dia e fui trabalhar, na época das 18:00 às 24:00. Quando cheguei em casa por volta das 00:40, meus filhos não tinham ido dormir, esperando para ver o “novo” oboé profissional usado que eu havia comprado e que de ora em diante seria meu companheiro inseparável.

Passei a estudar com mais afinco, mas devido minhas dificuldades rítmicas e de tempo, pois tinha de estudar nas horas vagas, não houve muito progresso.

O país estava passando por mudanças políticas e após a eleição direta para presidente em 1989, no ano seguinte houve vários planos de contenção da inflação que geraram desemprego.

Sem perspectivas na capital, fui obrigado a buscar sustento no interior do estado, meus estudos de oboé novamente foram comprometidos.

No ano seguinte retornei à capital e continuei trabalhando na minha área. No final do mesmo ano, passei no concurso da Escola de Música e Belas Artes, onde tive algumas aulas no ano seguinte.

Por motivo de trabalho novamente, tive de deixar a capital e os estudos de oboé. Continuei tocando nos cultos, porém com a pouca técnica que possuía e com muita dificuldade.

Finalmente em meados do ano 2000, fui obrigado a parar definitivamente e mandar o instrumento para manutenção. Após tê-lo recebido consertado, fui obrigado a vendê-lo para colocar as finanças em dia.

Pensei em parar de estudar definitivamente, depois de muitas dificuldades.

No ano de 2007, tentei voltar a estudar a música novamente, como não tinha condições de comprar outro instrumento, pensei em tocar flauta-doce, mas não foi possível.

Meu provável professor na época, não quis me ensinar flauta-doce, disse que meu instrumento era mesmo o oboé e me aconselhou a procurar um instrumento e um professor.

Nesse mesmo tempo conheci o Pr. Ziel que me incentivou muito a voltar a estudar, e devo a ele o impulso para conseguir outro instrumento.

Finalmente em 2010, comprei outro instrumento e voltei a estudar, mas hoje resido em outra cidade, longe dos grandes centros onde estão os professores e as orquestras.

Retornei aos estudos e pretendo desta vez que seja definitivo. Não tenho pretensões de me profissionalizar, mas quero dominar o instrumento e poder executar algumas composições próprias para o oboé.

Novamente esbarrei em minhas dificuldades com a música e a falta de tempo, mas já consegui algum progresso com maior dedicação.

Em meados de 2011, passei a ler alguns artigos sobre o histórico dos oboés, do período barroco aos dias de hoje. O trabalho ficou interessante e editei um artigo sobre os assuntos lidos.

Ainda na década de 90, comecei a colecionar alguns artigos copiados de algumas enciclopédias e algumas imagens disponíveis na época. Incluí nesta coleção um artigo que escrevi como trabalho de escola para a minha filha que pronunciou uma  palestra sobre oboé na escola, na ocasião ela estava na 7ª série e tinha 12 anos. Com o pouco material sobre o oboé existente na época, fiz um breve histórico e ilustrei com algumas fotos retiradas de catálogo, preparei também algumas músicas para que ela pudesse mostrar o som do instrumento.

Vídeo do Youtube anexo com a música Desert de Neige de Paul Mauriat



Vídeo relacionado:





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Cesar Costa




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